Crítica | All You Need Is Kill
A nova adaptação animada de All You Need Is Kill chega com uma proposta diferente do que muitos poderiam esperar. Em vez de priorizar a ação frenética e o espetáculo visual, o filme aposta em um tom mais intimista e reflexivo, transformando a conhecida história do loop temporal em algo mais pessoal e contemplativo.
Na trama, acompanhamos Rita, uma voluntaria que ajuda a reconstrução do japão após o aparecimento do Darol, uma misteriosa entidade vinda do espaço que passou a ameaçar a humanidade. Em meio a esse cenário caótico, ela se vê presa em um estranho ciclo no qual revive o mesmo dia repetidas vezes, sempre enfrentando as consequências dessa força desconhecida. A partir dessa premissa simples, o filme constrói uma jornada de aprendizado, tentativa e erro, e busca por uma saída para esse ciclo infinito.
Logo de início, a obra chama atenção pela estética. A animação é muito bonita, com um estilo próprio, quase artesanal em alguns momentos, que transmite uma sensação de proximidade com a protagonista. Não é um visual grandioso no sentido tradicional, mas sim delicado e expressivo, combinando perfeitamente com o clima mais introspectivo da narrativa.
A trilha sonora acompanha bem essa proposta. Sem exageros, ela ajuda a construir a atmosfera melancólica e repetitiva do cotidiano de Rita, reforçando a ideia central do filme: a sensação de estar preso em um ciclo sem fim. E é justamente aí que mora uma das reflexões mais interessantes da obra. Mesmo falando de monstros e ficção científica, a história faz um paralelo claro com o nosso próprio dia a dia. Será que, de certa forma, também não vivemos sempre o mesmo dia?
O roteiro opta por um ritmo mais ágil na descoberta do que está acontecendo, o que mantém o filme dinâmico, mas também deixa a impressão de que o conceito do loop poderia ter sido explorado com um pouco mais de profundidade. Ainda assim, a narrativa funciona bem ao mostrar o amadurecimento da personagem e a forma como ela aprende, evolui e tenta encontrar um sentido em meio à repetição constante.
A dinâmica entre os personagens é outro ponto positivo. O encontro de Rita com Keiji traz leveza e até um toque de humor para a história, equilibrando o clima tenso com momentos mais humanos. Essa relação dá coração ao filme e impede que ele se torne apenas mais uma ficção científica sobre viagens no tempo.
Mesmo com algumas soluções apressadas e certas ideias que mereciam mais desenvolvimento, a animação cumpre o que promete. É envolvente, emocional e visualmente marcante. Não tenta ser um grande épico, e sim uma história sobre persistência, escolhas e sobre o peso e o valor do amanhã.
Para quem conhece a obra original ou o filme No Limite do Amanhã, essa versão animada oferece uma experiência mais sensível e menos explosiva, focada muito mais nos sentimentos do que nas batalhas.
No fim, “All You Need Is Kill” funciona como um lembrete simples e eficaz: mesmo quando tudo parece se repetir, sempre existe a chance de fazer diferente no próximo dia.



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