Crítica | MIchael
A cinebiografia Michael, dirigida por Antoine Fuqua, não tenta apenas contar a história de Michael Jackson, ela recria sua essência com um nível de imersão raro no gênero. Ao acompanhar a trajetória desde os Jackson 5 até o auge da carreira solo, o filme equilibra espetáculo e intimidade, sem cair na armadilha de resumir demais uma vida tão complexa.
Visualmente, é deslumbrante. A fotografia e a reconstrução de época transportam o espectador diretamente para as décadas de 70, 80 e 90, enquanto as cenas de palco são simplesmente arrepiantes, não parecem encenadas, mas sim resgates vivos de apresentações históricas. Em IMAX, essa experiência ganha outra dimensão, tornando cada performance quase tátil.
O grande acerto do filme está no elenco. Jaafar Jackson não apenas interpreta, ele se transforma em Michael. Do timbre de voz ao carisma e à fragilidade, sua atuação é multifacetada e carrega o peso emocional necessário para sustentar o protagonista. Já Colman Domingo entrega um desempenho intenso como o pai de Michael, com uma presença quase antagonista, marcada por uma atuação densa que evidencia a pressão e os conflitos familiares. É o tipo de papel que naturalmente entra na conversa de premiações.
A trilha sonora, como esperado, é um dos pilares do filme. Mais do que revisitar hits, a obra mergulha no processo criativo por trás de músicas e clipes icônicos, mostrando como o artista pensava, criava e se reinventava. Ao mesmo tempo, não ignora o lado mais doloroso: a infância interrompida, a busca por refúgio na fantasia e o desejo constante de viver em sua “Terra do Nunca”.
Outro ponto forte é o ritmo. O filme não tem pressa, e isso pode surpreender, mas essa escolha permite que a narrativa respire e se aprofunde. Ao encerrar sem cobrir toda a história, deixando claro que ela continuará, a obra reforça a grandiosidade e a impossibilidade de condensar tudo em um único capítulo.
Michael não é apenas uma cinebiografia, é uma experiência geracional, capaz de emocionar tanto quem viveu o auge do artista quanto quem o conhece apenas pelo legado. Michael é o mais próximo de um show de Michael Jackson que o cinema já conseguiu entregar, é uma celebração viva de um ícone que continua ecoando através do tempo.



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