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Crítica | O Diabo Veste Prada 2


Mais de 20 anos depois, O Diabo Veste Prada retorna com uma proposta clara: não apenas revisitar personagens icônicos, mas reinterpretá-los dentro de um mundo que mudou e muito. O resultado é uma continuação que entende seu próprio legado, mas não vive dele.

A nova trama coloca Miranda Priestly diante de um cenário que ela não pode controlar com um simples olhar: o colapso das revistas impressas e a ascensão de uma indústria guiada por algoritmos, redes sociais e novos comportamentos. É nesse contexto que surge o principal conflito sua antiga assistente, Emily Charlton, agora uma poderosa executiva do mercado de luxo, capaz de influenciar diretamente o destino da Runway.

O filme brilha justamente na forma como atualiza suas relações e temas. Se antes Miranda simbolizava uma liderança autoritária quase intocável, aqui vemos uma versão mais consciente, ainda rígida, mas moldada por um mundo onde até o RH tem voz. Pequenos gestos, como ela própria carregar seu casaco, dizem muito mais do que grandes discursos. Essa mudança não enfraquece a personagem, pelo contrário, a humaniza.


A dinâmica entre Meryl Streep e Anne Hathaway continua sendo o coração do filme. Existe uma tensão deliciosa entre admiração, dependência e rivalidade, quase como um jogo eterno de gato e rato. Mesmo após duas décadas, fica claro: uma ainda define a outra. É uma relação que evolui sem perder sua essência, menos explosiva, mas mais profunda.

O roteiro aposta em uma abordagem mais leve e acessível. Ele não tenta reinventar a fórmula, e sim adaptá-la. Em alguns momentos, escorrega em clichês e deixa pontas soltas, mas compensa com diálogos afiados e um humor que funciona especialmente bem ao explorar o choque de gerações. As piadas sobre redes sociais, influência digital e a “nova moda” não só divertem, como refletem dilemas reais.

A moda, curiosamente, deixa de ser protagonista e assume um papel mais contemplativo. Não há mais a transformação visual como arco principal, aqui todos já sabem se vestir. O figurino é impecável, mas serve mais como ambientação do que como narrativa.


Um destaque interessante é a participação de Lady Gaga, que imprime personalidade à trilha sonora com uma música original. Embora menos “grudenta” do que no primeiro filme, a trilha sonora reforça o tom mais novo e atualizado do filme.

O Diabo Veste Prada 2 não tenta apenas reviver um clássico, ele o encara de frente, aceita suas mudanças e transforma o tempo em seu maior aliado. É um filme que desfila com confiança entre passado e futuro, mostrando que até os maiores ícones precisam se reinventar para continuar relevantes. Pode não ser uma revolução como o original, mas é uma evolução elegante, afiada e consciente, que entende seu lugar no mundo atual e faz disso sua maior força.

Vale a pena? Sem dúvida, porque, no fim das contas, todos nós estamos aprendendo, assim como Miranda, que até o impossível precisa se adaptar para continuar ditando tendências.

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