Crítica | Marsupilami
Quando você vê o nome Marsupilami, é natural esperar um filme de aventura familiar inspirado no clássico personagem franco-belga. Afinal, o mascote sempre esteve ligado a histórias leves, voltadas para crianças, misturando exploração, humor e fantasia. O problema é que Marsupilami: Confusão à Bordo decide seguir um caminho completamente diferente.
A trama acompanha David (Philippe Lacheau), um funcionário de zoológico que aceita transportar um misterioso pacote vindo da América do Sul para tentar salvar seu emprego. O que ele não imagina é que dentro da encomenda está um filhote de Marsupilami, criatura raríssima que acaba transformando um cruzeiro em um verdadeiro caos. Ao lado da ex-esposa, do filho e de um colega completamente atrapalhado, David embarca em uma jornada sobre família, reconciliação e responsabilidade.
Na teoria, parece um típico filme infantil de aventura. Na prática, passa longe disso.
O maior problema está justamente na identidade do longa. Apesar de vender a imagem de um filme para crianças, o roteiro é recheado de piadas de conotação sexual que simplesmente não combinam com esse público. Há momentos em que o humor parece mirar exclusivamente nos adultos, mas sem qualquer sutileza. Um dos exemplos mais absurdos envolve o próprio Marsupilami tomando Viagra e ficando com a cauda "dura", uma piada que resume bem o tipo de humor que o filme escolhe seguir. É o tipo de gag que dificilmente deveria estar presente em uma produção que utiliza um personagem tão associado ao público infantil.
Além disso, a história é extremamente previsível. O roteiro segue uma estrutura tão clichê que praticamente todas as reviravoltas podem ser antecipadas minutos antes de acontecerem. Não existem grandes surpresas, nem conflitos realmente interessantes. Tudo acontece exatamente como você imagina desde os primeiros minutos.
O elenco conta com Jean Reno, facilmente o nome mais conhecido da produção. Sua presença ajuda a dar um certo peso ao filme, mas nem mesmo um ator do calibre dele consegue elevar um roteiro tão simples.
Se existe um aspecto que merece elogios, é o próprio Marsupilami. A criatura foi criada com um animatrônico bastante convincente, que transmite muito carisma. Visualmente, funciona ainda que as vezes misturado a um CGI exagerado, e o personagem acaba sendo facilmente a figura mais simpática do longa.
Outro ponto que realmente chama atenção é uma divertida referência a Dragon Ball. É um fan service inesperado e, para quem cresceu assistindo ao anime, provavelmente será o momento mais divertido do filme. Foi, sem dúvidas, o ponto alto da experiência.
No fim das contas, Marsupilami: Confusão à Bordo abandona quase completamente a proposta aventureira do personagem para entregar uma comédia francesa extremamente galhofa, daquelas que abraçam o humor pastelão e o trash sem qualquer vergonha. Muitas das risadas surgem justamente porque as piadas são tão ruins que acabam funcionando pelo absurdo, e não porque foram realmente bem escritas.
É difícil chamar o filme de "bom". Seu humor é inconsistente, a história é esquecível e a indecisão sobre qual público deseja atingir prejudica bastante a experiência. Ainda assim, existe um certo charme no seu caos. Se você assistir sem expectativa nenhuma, num domingo à tarde, apenas procurando algo despretensioso para passar o tempo, talvez encontre diversão justamente na sua falta de compromisso em ser levado a sério.
Não é uma boa adaptação do universo de Marsupilami e tampouco uma grande comédia. Mas, para quem aprecia filmes trash, humor pastelão e situações completamente absurdas, pode render algumas risadas, especialmente se você entrar na sessão sabendo exatamente o tipo de bagunça que vai encontrar.



.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
Deixe o seu comentário