Crítica | O Morro Dos Ventos Uivantes
A nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell, deixa claro desde o início que não pretende ser apenas uma versão fiel do romance, mas uma releitura com identidade própria. É um filme que aposta na força da imagem, no impacto emocional e na intensidade das relações, ainda que isso custe parte da complexidade literária da obra original.
A história acompanha Catherine Earnshaw e Heathcliff, um órfão acolhido pela família Earnshaw na isolada propriedade nos pântanos de Yorkshire. Unidos por um vínculo profundo e quase selvagem, os dois crescem compartilhando uma conexão intensa, marcada por desejo, orgulho e dependência emocional. Quando Catherine decide se casar com Edgar Linton, buscando status e estabilidade, Heathcliff se sente traído e inicia uma jornada movida por ressentimento e vingança. O amor que antes parecia absoluto se transforma em dor, obsessão e destruição.
Visualmente, o filme é impressionante. A fotografia trabalha com tons escuros e frios nos momentos de conflito e sofrimento, reforçando o peso emocional da narrativa. Já nas cenas que envolvem luxo, desejo ou poder, as cores se tornam mais fortes e vibrantes, criando um contraste claro entre o mundo bruto dos pântanos e a sofisticação social que seduz Catherine. Cada enquadramento parece cuidadosamente pensado, e a ambientação contribui para que a natureza funcione quase como uma personagem silenciosa, mas sempre presente.
No centro da trama estão Margot Robbie e Jacob Elordi. Margot Robbie entrega uma Catherine intensa e cheia de conflitos internos, dividida entre o amor e a ambição. Elordi é o grande destaque: sua transformação de jovem vulnerável para homem endurecido pela rejeição é convincente e bem construída. Ele consegue demonstrar mudanças claras no comportamento e na postura do personagem ao longo do tempo, sem exageros. A química entre os dois é forte e sustenta a ideia de um amor que ultrapassa limites, para o bem e para o mal.
A trilha sonora traz um toque contemporâneo, com músicas de Charli XCX que surpreendem, e funcionam dentro da proposta estilizada do filme. A escolha pode dividir opiniões, mas reforça que esta é uma adaptação pensada para dialogar com o público atual, e não apenas com leitores fãs da obra.
Ainda assim, a sensação final é ambígua. Quem conhece bem o livro pode sentir que faltou aprofundar algumas camadas da história e dos personagens. Certos conflitos parecem resolvidos com rapidez, e parte da complexidade emocional acaba simplificada. Por outro lado, quem assistir buscando um romance intenso e trágico provavelmente sairá satisfeito.



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